Pesquisar este blog

quinta-feira, 29 de março de 2012

Você sabia?

1 - As melhores vinhas, plantações de uva, para a produção de vinhos de qualidade crescem quase exclusivamente nas latitudes entre os 30º e 40ºN e entre os 30/40º Sul. As vinhas mais a Sul pertencem à Nova Zelândia, perto do paralelo 45. Isso porque nessas regiões as condições climáticas oferecem a quantidade perfeita de sol e chuva permitindo um bom amadurecimento da uva com os teores ideais de água e açúcar. Esse equilíbrio somado à qualidade da vinha e do solo (terroir) é que torna o vinho melhor que em outros lugares do mundo.
2 - Na mitologia grega, Dionísio é conhecido como o deus do vinho, filho de Zeus e da princesa Semele, é o único deus filho de uma mortal. Zeus, depois de conceder um pedido irracional a Sêmele, o qual levou-a à morte, entrega Dionísio às ninfas, que cuidam dele durante a infância. Ao se tornar homem, Dionísio se apaixona pela cultura da uva e descobre a arte de extrair o suco da fruta. Porém a inveja de Hera leva Dionísio a ficar louco, e vagar por várias partes da Terra. Quando passa por Frígia, a deusa Réia o cura e o instrui em seus ritos religiosos. Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da uva. Quis introduzir seu culto na Grécia depois de voltar triunfalmente da sua expedição à Índia, mas encontrou oposição de alguns príncipes receosos do alvoroço causado por ele. Por causa desta sua paixão pela cultura da uva, Dionísio após sua morte, passou a ser cultuado pelos gregos como sendo o deus do vinho!
3 - Os vinhos de péssima qualidade são designados por "zurrapa"
4 - Há uma lenda interessante envolvendo os vinhos Chianti: Em meados do século XVII, as disputas políticas envolvendo as cidades de Siena e Firenze (Florença) quanto à extensão territorial de cada uma alcançaram também a denominação dos vinhos Chianti. A fim de resolver essa questão, foi proposta a realização de uma prova para a delimitação das fronteiras. A prova, uma corrida, envolveria um cavaleiro de cada cidade que deveria sair em direção à outra assim que o galo cantasse na alvorada. A fronteira seria o ponto onde eles se encontrassem. Acertado isso, o povo de Siena elegeu um galo bonito, jovem, bem nutrido para cantar na alvorada enquanto que o povo de Firenze escolheu um galo negro, magro e mal alimentado. É claro que o galo de Firenze acordou mais cedo, pois tinha fome, e cantou antes do galo de Siena fazendo com o que o cavaleiro de Firenze tivesse boa vantagem. Essa vantagem fez com que os cavaleiros se encontrassem já bem perto de Siena e, como conseqüência, a cidade de Firenze conquistou um território maior que a vizinha. Dizem que essa disputa também levou para Firenze a exclusividade do nome Chianti que é representada nas garrafas por um galo negro.
5 - O uso do vinho é proibido sob as Leis Islâmicas. O Irã chegou a ter uma indústria vinícola que desapareceu depois da Revolução Islâmica de 1979. Tal sucedeu também com outros países de maioria islâmica, antigas colônias européias (principalmente francesas), tais como a Argélia. Contudo, o outro país de maioria muçulmana, o Líbano, tem um florescente indústria vinícola.
6 - O vinho "estragado" é aquele que sofreu oxidação devido ao seu contato com o ar ou que não foi bem armazenado. Com o passar do tempo a oxidação do vinho faz alterar a sua cor tendendo para o laranja ou âmbar, seja ele tinto ou branco.




quarta-feira, 28 de março de 2012

O vinho como remédio


Muito tem se falado sobre os benefícios que uma taça de vinho durante as refeições pode trazer no uso diário e moderado.

Algumas pesquisas dizem que quem degusta a bebida todos os dias tem mais possibilidades de controlar a hipertensão; prevenir ataques cardíacos; aumentar o colesterol bom (HDL) e reduz o mau (LDL); retardar o envelhecimento celular; ou mesmo diminuir os riscos de desenvolver doenças como resfriados, gripes e até o câncer. Outras apontam que quem consome a bebida é mais inteligente, apresentando coeficientes de inteligência mais expressivos.


A percepção de que o vinho poderia também ser um remédio surgiu a partir dos anos 90, com a divulgação da pesquisa do cientista francês Serge Renaud, denominada de o Paradoxo francês . Apesar de os franceses fumarem muito e consumirem a mesma quantidade de gorduras que os norte-americanos, o pesquisador demonstrou que na França registravam-se 2,5 vezes menos mortes por doenças coronarianas em comparação com os Estados Unidos.

Sem exageros: essa é uma máxima importante que envolve quase tudo na vida, principalmente quando falamos de consumo de bebidas alcoólicas.

O bom uso do vinho – tanto tinto como branco – deve respeitar tal princípio. Com moderação, é possível extrair o que há de melhor desta bebida que acompanha a história da humanidade há milhares de anos. Um brinde ao vinho!




terça-feira, 13 de março de 2012

Vinho também entra na mira do protecionismo

Ministério do Desenvolvimento estuda pedido de salvaguarda que poderá restringir a importação de vinhos no Brasil

Ana Clara Costa
Descrição: Taças de vinho
Vinhos europeus, americanos e australianos: alíquota de importação poderá chegar a 55% (Matthieu Cellard)
Os vinhos nacionais perdem mercado a cada ano para os importados. Em 2005, eram trazidos ao país cerca de 37 milhões de litros de vinhos. Em 2011, esse número saltou para 72 milhões de litros
A cartilha que prega a política de conteúdo nacional e reserva de mercado no Brasil ganhou recentemente um novo capítulo. O vilão, desta vez, é o vinho importado. No país da cerveja e da cachaça, as 70 milhões de garrafas de vinho que chegam anualmente do exterior incomodam de maneira contundente os produtores nacionais. Agora, eles estão próximos de ganhar um pleito antigo: o do aumento do imposto de importação de 27% para 55% para o produto vindo do exterior. O pedido, articulado entre os grandes produtores vinícolas do Rio Grande do Sul, a bancada gaúcha no Congresso e o governo do estado, prevê a implantação de uma medida de salvaguarda para “proteger” os fabricantes locais da chamada “invasão” de importados.
Se aprovada, ela recairá sobre os produtos vindos da Europa, Estados Unidos e Austrália e, possivelmente, do Chile – que é responsável por 36,6% das importações de vinhos no país. Argentina e Uruguai são protegidos por uma cláusula do tratado de livre comércio do Mercosul que prevê isenção de impostos para importação de vinhos finos – aqueles produzidos a partir de cepas de boa qualidade, como malbec, por exemplo. Contudo, o governo brasileiro poderá lançar mão de outras alternativas para dificultar a aquisição destes bens dos vizinhos, como estabelecer o sistema de licença não-automática aos lotes enviados ao Brasil – prática usada constantemente pelo parceiros de Mercosul como barreira ao livre comércio. Já o Chile, que também tem o benefício de alíquota zero no imposto de importação, poderá ser alvo de cotas máximas (como o Brasil pretende fazer com o México na questão automotiva), ou ter de exportar ao país vinhos mais caros, que não concorram com a indústria que abastece a classe média.
Descrição: Plantação de uvas no Vale do Elqui, no Chile
Vinhedos no Vale do Elqui, no Chile: país será o mais afetado por medida de salvaguarda
Discussões – De acordo com Henrique Benedetti, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), entidade que representa os produtores, há pelo menos quatro medidas que podem ser tomadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) para restringir as importações: aumento de imposto, criação de cotas, definição de um preço mínimo para o produto e a mudança na política de licenças para os países do Mercosul. Segundo fontes ouvidas pelo site de VEJA, todas elas já foram discutidas com a própria presidente Dilma Rousseff, no início de fevereiro, quando ela visitou o município de Caxias do Sul (RS) para abrir a tradicional Festa da Uva.
Atualmente, um Grupo Técnico sobre Alterações Temporárias da Tarifa Externa Comum do Mercosul (GTAT-TEC), gerenciado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) do MDIC, analisa dados enviados pelas entidades do setor para comprovar quão “nocivos” os vinhos estrangeiros são para a indústria nacional. O MDIC investigará por cerca de um ano as estatísticas setoriais e só então poderá tomar uma decisão sobre o pedido de salvaguarda. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério, não há previsão para o término dos estudos técnicos e a pasta não irá se pronunciar sobre esse tema por enquanto.
Concorrência – De fato, os vinhos nacionais perdem mercado a cada ano para os importados. Em 2005, eram trazidos ao país cerca de 37 milhões de litros da bebida. Em 2011, esse número saltou para 72 milhões de litros de acordo com números do Ministério do Desenvolvimento. Nesse período, a produção nacional encolheu de 22 milhões de litros para 19 milhões de litros, segundo dados da Uvibra. Em contrapartida, o dólar se desvalorizou 33% em relação ao real e a renda do brasileiro aumenta a cada ano. Além disso, o vinho ganha cada vez mais espaço no cotidiano dos consumidores no país – muitas vezes graças aos baixos preços praticados pelos produtores dos países vizinhos.
O resultado é que o consumo aumentou, mas os produtores nacionais não conseguiram aproveitar essa onda por falta de competitividade. “A culpa não pode ser atribuída aos importadores, mas sim à própria estrutura produtiva do Brasil que é pouco competitiva, o que não é novidade para a indústria, infelizmente”, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio do MDIC e sócio da consultoria Barral MJorge Associados.
Reserva de mercado, de novo – A situação absurda, neste caso, configura-se quando o próprio setor produtivo, em vez de exigir melhores condições de competitividade, articula com o governo a criação da reserva de mercado. “O problema não é o custo Brasil e sim o fato de os produtores estrangeiros despejarem seus produtos em nossos mercados porque a Europa e os Estados Unidos estão consumindo menos”, argumenta Benedetti, da Uvibra, ao se referir à queda no consumo de vinho dos países desenvolvidos devido à crise financeira internacional. Segundo o empresário, que é dono da vinícola Lovara, há concorrência desleal por parte de alguns portos do país, como o de Itajaí (SC), que reduzem por conta própria a tributação do ICMS para atrair importadores de vinhos a desembarcar em seus estados.
Na Câmara dos Deputados, em vez de a discussão servir como forma de pressão para que o governo execute reformas estruturais que desonerem a indústria, deputados como Nelson Padovani (PSC-PR) proferem verdadeiras odes ao protecionismo. Em discurso na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), o parlamentar mostrou-se indignado com um projeto de retirar o imposto de importação sobre os vinhos portugueses, que representam menos de 5% das importações do produto no país. “Exatamente no momento em que o Rio Grande do Sul está passando por crises por problemas climáticos, vem agora alguém – naturalmente a pedido de algum importador – propor isenção aos vinhos importados. Ora, aquele que consome o vinho importado – que é o segmento que mais cresce no Brasil – é porque tem poder aquisitivo, então que pague o preço”, disse.
Promessa de modernização – A ideia dos produtores é que a barreira, seja ela qual for, permaneça em vigor por, no mínimo, quatro anos, para que as vinícolas consigam finalizar um plano de modernização iniciado três anos atrás – e ameaçado pela queda do consumo de vinhos nacionais. A estimativa do setor é de que haja um excedente anual de 40 milhões de garrafas. “No curto prazo, isso (a reserva de mercado) irá ajudar os produtores. Mas e depois? Até quando o Brasil vai precisar recorrer a esse tipo de medida?”, questiona Antonio Cesar Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS). A resposta a esse enigma está na condescendência do Palácio do Planalto, que já prometeu que dará “atenção especial” ao problema, segundo afirmou ao site de VEJA uma fonte ligada ao assunto.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vinho e Saúde: confira artigo sobre os benefícios do vinho para a saúde




"Vinum bonum lætificat cor hominis"
O vinho bom alegra o coração do homem
Salmo 104:15

Um pouco de História

Desde a antigüidade, o vinho apresenta-se intimamente ligado à evolução da medicina, desempenhando sempre um papel principal. Os primeiros praticantes da arte da cura, na maioria das vezes curandeiros ou religiosos, já empregavam o vinho como remédio. Papiros do Egito antigo e tábuas dos antigos Sumérios (cerca de 2200 a.C.) já traziam receitas baseadas em vinho, o que o torna a mais antiga prescrição médica documentada.
O grego Hipócrates (cerca de 450 a.C.), tido como o pai da medicina sistematizada, recomendava o vinho como desinfetante, medicamento, um veículo para outras drogas e parte de uma dieta saudável. Para ele, cada tipo de vinho teria uma diferente função medicinal.
Galeno (século II d.C.), o mais famoso médico da Roma antiga, empregava o vinho na cura das feridas dos gladiadores, agindo este como um desinfetante.
Também os Judeus antigos tinham o vinho como medicamento. Segundo o Talmud, "sempre que o vinho faltar, a medicina tornar-se-á necessária".
Foi na Universidade de Salermo (Itália), fundada no século XI, que a importância do vinho sobre a dieta e a saúde foi codificada. Lá, correntes clássicas e árabes se fundiram, fornecendo as bases da medicina européia. O "Regime de Salermo" especificava "diferentes tipos de vinho para diversas constituições e humores".
Avicena (século XI DC), talvez o mais famoso médico do mundo árabe antigo, reconhecia a importância do vinho como forma de cura, embora seu emprego fosse limitado por questões religiosas.
O uso medicinal do vinho continuou por toda a Idade Média, sendo divulgado principalmente por monastérios, hospitais e universidades.
Até o século XVIII, muitos consideravam mais seguro beber vinho do que água pois esta era, freqüentemente, contaminada. Conta a lenda de Heidelberg, na Alemanha, que o guardião do grande barril (Große Faß) onde o soberano guardava todo o vinho recolhido como imposto, só bebia vinho. Seu nome era "Perkeo" (do italiano “Perche no” - por que não). Certa feita deram um líquido diferente para que ele bebesse e este morreu imediatamente. O tal líquido assassino era nada mais nada menos que água.
Em 1865-66, Louis Pasteur, o grande cientista francês nascido na região do Jura (terra dos famosos vin jaune e vin de paille), empregou o vinho em diversas de suas experiências, declarando que o vinho é "a mais higiênica e saudável das bebidas".
Em 1892, durante a grande epidemia de cólera em Hamburgo, o vinho era adicionado à água com intuito de esterilizá-la.
A partir do final do século XIX, a visão do vinho como medicamento começou a mudar. O alcoolismo foi definido como doença e os malefícios de seu consumo indiscriminado começaram a ser estudados. Nas décadas de 70 e 80, o consumo de álcool foi fortemente atacado por campanhas de saúde pública exaltando as complicações de seu uso em excesso. Entretanto, várias pesquisas científicas bem conduzidas têm demonstrado que, consumido com moderação, o vinho traz vários benefícios à saúde.

O consumo moderado

"Nem muito e nem muito pouco" parece ser o princípio para se realçar os efeitos benéficos do vinho sobre a saúde. Entretanto, as autoridades de saúde de vários países têm encontrado dificuldade em estipular o que pode ser considerado "consumo sensato". Na França, a ingestão de até 60 g de álcool por dia é segura para homens. Por outro lado, no Reino Unido, recomenda-se menos de 30 g por dia.
Vários são os fatores que influenciam estes limites: sexo, idade, constituição física, patrimônio genético, condições de saúde e uso de outras substâncias (drogas, medicamentos etc). Em linhas gerais, um homem pode consumir até 30 g de álcool por dia. Para as mulheres, por diversas razões (menor tolerância, menor proporção de água no organismo etc) recomenda-se até 15 g por dia. A diferença entre consumo moderado e exagerado pode significar a diferença entre prevenir e aumentar a mortalidade.
Além da quantidade, a regularidade também é importante para se obter os efeitos benéficos do vinho. Os que exageram nos finais de semana e se poupam nos outros dias podem sofrer todos os malefícios da ingestão exagerada e aguda do vinho sem nenhum ganho para a saúde.

O Paradoxo Francês

Uma grande reviravolta na relação entre vinho e saúde ocorreu no início da década de 90 com a divulgação do Paradoxo Francês. Durante um programa de televisão nos EUA, o cientista francês Serge Renaud mostrou que estudos epidemiológicos em escala mundial evidenciaram que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronarianas que os americanos, apesar de fumarem muito e consumirem a mesma quantidade de gorduras. A principal explicação para tal paradoxo estaria no consumo regular e moderado de vinho. Como era de se esperar, após a transmissão do programa, o consumo de vinho tinto nos EUA multiplicou por 4. Tal paradoxo foi, posteriormente, publicado na revista inglesa The Lancet, uma das mais conceituadas revistas médicas do mundo, dando origem a uma enxurrada de artigos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde nos tempos modernos.

Álcool, taninos, flavonóides, catecinas, resveratrol, etc

Há muito sabe-se que o álcool, consumido em pequenas doses regulares, traz benefícios para a saúde. Estudos epidemiológicos mostram que o álcool presente no vinho, cerveja e destilados pode diminuir a mortalidade por infarto do miocárdio, isquemia cerebral etc. Entretanto, o vinho é quem mais desperta interesse dos cientistas por apresentar, além do álcool, diversas substâncias antioxidantes em sua composição. Entre os mais de 1000 compostos encontrados no vinho, os polifenóis (flavonóides, taninos, catecinas, resveratrol etc) são os mais estudados.
Os polifenóis, derivados de várias plantas, são os antioxidantes mais encontrados em nossa dieta. De acordo com sua origem, apresentam diferentes estruturas químicas. Atualmente, vários estudos têm demonstrado que o resveratrol, um antioxidante natural presente em vinhos tintos e brancos, está associado com os efeitos benéficos do vinho na doença coronária. Além disso, em laboratório, o resveratrol tem mostrado efeito protetor contra o câncer, embora estes resultados ainda não tenham sido demonstrados na prática clínica. Também controversa é a hipótese de que os flavonóides parecem mostrar um efeito protetor contra doenças cardiovasculares, atuando sobre o LDL (colesterol ruim).

Vinho e Saúde: Alguns fatos

Doenças coronárias: o consumo moderado de vinho controla os níveis sangüíneos de algumas substâncias químicas inflamatórias chamadas citocinas. Estas, por sua vez, afetam o colesterol e as proteínas da coagulação. O vinho é capaz de reduzir os níveis de LDL e aumentar os de HDL (colesterol bom). Com relação à coagulação, o vinho torna as plaquetas presentes no sangue menos aderentes e reduz os níveis de fibrina, evitando que o sangue coagule em locais errados. Estes efeitos poderiam prevenir o entupimento de uma coronária, evitando um infarto do miocárdio.
Doenças do cérebro: Os efeitos mais conhecidos do álcool sobre o sistema nervoso são a embriaguez e a dependência alcoólica. Entretanto, quando consumido com parcimônia, o vinho parece reduzir o risco de demência, incluindo o Mal de Alzheimer. Segundo alguns especialistas, os polifenóis presentes no vinho (principalmente nos tintos) seriam os responsáveis por evitar o envelhecimento das células cerebrais. É intrigante notar que, proporcionalmente falando, a ação antioxidante dos polifenóis dos vinhos brancos é superior à dos tintos. Entretanto, a quantidade de polifenóis dos tintos é muito superior à dos brancos, tornando estes vinhos mais interessantes para as células cerebrais. Além da ação antioxidante, os vinhos melhoram a circulação cerebral, com o fazem com a circulação coronária. Sabe-se, ainda, que as chances de apresentar depressão são menores em consumidores moderados de vinho.
Doenças respiratórias: Experimentos recentes têm demonstrado que o vinho é capaz de reduzir as chances de uma infeção pulmonar, sendo mais eficaz que alguns antibióticos modernos.
Doenças do aparelho digestivo: Há vários séculos, São Paulo já recomendava "um pouco de vinho para a saúde do estômago". Hoje, sabe-se que o consumo moderado de vinho está associado a uma menor incidência de úlcera péptica por uma série de razões: alívio do estresse, inibição da histamina, ação antimicrobiana contra o Helicobacter pylori, bactéria implicada na gênese da úlcera duodenal. Por atuar sobre o colesterol, o vinho parece reduzir as chances de formação de cálculos no interior da vesícula biliar.
Doenças do aparelho urinário: Estudos mostram que o vinho é capaz de reduzir em até 60% o risco de formação de cálculos urinários, ao estimular a diurese.
Diabetes: o vinho consumido de forma moderada melhora a sensibilidade das células periféricas à insulina, sendo interessante nos pacientes com diabetes tipo 2 (não insulino-dependente). Além disto, o vinho reduz as chances de morte por infarto do miocárdio em pacientes com diabetes tipo 2. Em mulheres, um estudo mostra que o vinho pode reduzir as chances de surgimento de diabetes.
Sangue e anemia: O álcool ajuda o organismo a absorver melhor o ferro ingerido nos alimentos. Além disto, um copo de vinho tinto contém, em média, 0,5mg de ferro.
Ossos: alguns estudos populacionais têm demonstrado que o consumo de pequenas quantidades de vinho é capaz de melhorar a densidade óssea, reduzindo as chances de osteoporose.
Visão: O vinho reduz a degeneração macular, causa comum de cegueira em idosos.
Câncer: A possibilidade de que os antioxidantes presentes no vinho pudessem prevenir alguns tipos de câncer despertou o interesse de muitos pesquisadores em todo o mundo. Alguns estudos populacionais mostram uma redução da mortalidade por doença coronária e por câncer em bebedores comedidos de vinho. Por exemplo, homens que consomem vinho sensata e regularmente têm menor chance de desenvolver Linfoma não-Hodgkin.
Como foi dito repetidas vezes, o consumo moderado parece ser o caminho para a felicidade. Muito ainda precisa ser entendido sobre os reais efeitos, benéficos e maléficos, do vinho sobre a saúde antes de torná-lo a panacéia universal para as moléstias do mundo moderno. Entretanto, em pouquíssimas situações, um remédio pôde ser tão infinitamente agradável e prazeroso.
 
 
Artigo publicado na Revista Wine Style, número 1, em 2005, escrito pelo Dr. Gustavo Andrade de Paula (médico e diretor de Degustação da ABS-SP/Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo).

Achamos o marketing do vinho!

O setor vinícola deixa muito a desejar no que diz respeito a marketing. Num mundo em que o vinho perde mercado para a cerveja, o destilado e até o refrigerante, ele pergunta “onde está o marketing do vinho?”
Acho que podemos arriscar a resposta, especialmente se compararmos com a cerveja. Aliás, é exatamente esta a comparação que mais gosto de fazer para tentar entender ao menos alguns dos motivos para essa distância.

Figura 1: Sansão x Golias
Por mais que haja grandes holdings por trás de alguns famosos rótulos (leia-se LVMH, Diageo, Pernord Ricard) e, portanto, empresas com grande poder financeiro, a indústria do vinho é muito fragmentada. Enquanto os grandes da cerveja (Ambev, Anheuser Bush) controlam 60% deste setor no mundo, no caso do vinho, esses conglomerados possuem somente 3% da fatia de mercado.
Não que a LVMH não possa pagar por um comercial de trinta segundos no horário nobre ou patrocinar um camarote na Sapucaí. Não é este o caso. O que ocorre é que grande parte dos rótulos pertencentes a essas empresas são produtos de luxo. Portanto, não é só a tradição de toda a indústria de não anunciar nas grandes mídias, mas também o fato de que a estratégia de marketing desses produtos certamente não inclui anunciar no intervalo do futebol.
Mas grande parte das vinícolas trabalha com pequenas margens de lucro, não tendo, portanto, como despender tanto. Só que nem tudo está perdido! Isto porque há um fenômeno que ocorreu com o vinho: a web e, mais especificamente, a web 2.0. As grandes discussões referentes ao setor concentram-se em blogs, mídias sociais. Graças a essa “gente comum”, que na maioria das vezes são profissionais de outras áreas, mas que compartilham a paixão, o vinho ganhou a força que tem hoje na web.

Figura 2: EWBC Konferenz, 2010
Não é preciso nem dizer que hoje não faltam blogs, ferramentas ou redes sociais dedicados à bebida. Muito mais do que qualquer outra. A presença é tamanha que neste ano, por exemplo, Izmir, na Turquia, sediará a quinta edição da Conferência dos blogueiros de vinhos europeus (EWBC). A versão americana já vai para a sexta edição em agosto, quando ocorrerá em Portland, EUA. E a participação de produtores nesses eventos pode-se dizer que é massiva.
Isso mostra que o vinho encontrou outra maneira de fazer seu próprio marketing, de uma forma mais barata e feita por quem mais importa: o consumidor. É ele quem faz o marketing de muito vinhateiro por aí, publicando na web avaliações e impressões sobre vinhos e vinícolas.
Por conta disso, alguns produtores e distribuidores já se atentaram para esse movimento. As grandes vinícolas brasileiras, por exemplo, costumam fazer bonito. Possuem sites bem completos, com todas as informações objetivas e que realmente interessam ao usuário, além de presença nas redes sociais. As pequenas ainda costumam deixar nos sites, mas já estão entrando nas mídias sociais, com direito a páginas no Facebook, perfis no Twitter ou mesmo comentando postagens de blogs.

Figura 3: As Mídias Sociais
Enquanto isso, muitos ainda deixam a desejar. Quem poderia dizer, por exemplo, que o site do premiadíssimo Domaine de La Romanée-Conti, além de só ter sido criado recentemente, fosse tão fraquinho? Se não acredita, dá uma olhada. De qualquer forma, é um sinal de que o vinho encontrou alguma forma de sobrevivência. Não que isso justifique a ausência de marketing nos canais mais tradicionais, mas já é um começo, especialmente para uma indústria que ainda é conservadora.
Lógico que há os que ousam ainda mais, como vinícolas que patrocinam shows de rock ou festas à beira-mar, uma iniciativa inteligente para tentar conquistar novos consumidores. Mas a internet é definitivamente o canal mais presente para o marketing do vinho. Só que eu já adianto um problema: na web, o usuário tem poder quase que total sobre o conteúdo que quer ver, diferentemente de meios como o cinema, a televisão ou o rádio. Portanto, talvez não seja o veículo ideal para atrair novos consumidores. Mas isso já é outra história.
Publicado em: 28 Fevereiro, 2012 por Rodrigo A.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Já pensou em fazer uma caipirinha de vinho para refrescar?

Descrição: http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/s320x320/419595_346779178676491_296820793672330_1163959_755219835_n.jpg
Já pensou em fazer uma caipirinha de vinho para refrescar?

É bem fácil: em uma coqueteleira, amasse metade de um limão
(cortado em quatro partes) com duas colheres de açúcar.
Esprema a outra parte do limão e adicione o líquido na mistura.

Depois, coloque quatro pedras de gelo e bata bem na coqueteleira.
Para finalizar, é só adicionar 250ml de vinho suave ( de São Roque
pode ser tinto ou branco, você escolhe) e bater mais um pouco.
É exótico, mas a gente adora! Depois conta como ficou a sua!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2005


Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTxrCb-j9R2ENobSgCRIeB4rVi9b00gOfXETyQvR4qnMdUnZYFHlUQA6gPs2oZxcokC99cAdkjzXqtsPEnm3VC5gCS-ihKmdelpw24Qw_70GIaDqJQn1IIEOsFUySm5d1i_GBrYn0iffgM/s320/DSC_4479.JPG 
E cá está mais um vinho Brasileiro que, confesso, até então eu não tinha conhecido. Ganhei este vinho do meu amigo João Felipe, autor do excelente blog Falando de Vinhos, dono da sensacional loja Vino & Sapore e, além disto tudo, confrade da confraria Saca Rolha!

Vindo do João, com certeza eu teria algo bastante interessante para degustar. Resolvi então abrir esta surpresa tendo como pano de fundo o show do Jamiroquai no Rock in Rio. Já que não pude estar por lá, pelo menos me divirto de casa!

A Vinícola Bella Quinta está situada em São Roque, interior de São Paulo. A década de 1920 marca o inicio da família na produção de vinhos na cidade de São Roque interior paulista. Inicialmente produzindo vinhos de mesa da variedade Niágara e Isabel.

A vindima de 2005 em Flores da Cunha Rio Grande do Sul marca o início da produção dos vinhos Bella Quinta.

Uma pequena parcela das uvas colhidas, selecionada de forma criteriosa, é vinificada segundo processos que misturam tradição e tecnologia, de modo a transmitir para cada garrafa toda a sabedoria da mãe natureza.

Vamos ao que achei deste Cabernet Sauvignon Brasileiro:

Visual: A garrafa é discreta, mas elegante e com bonitos traços. A rolha é de compensado de cortiça e não é personalizada para a bodega. Coloração rubi bastante escuro já mostrando um leve halo alaranjado mostrando sinais de evolução. Lágrimas gordas, rápidas e transparentes.

Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZOaIlZg0WsBiOPavT_vIUwx4xrWd_0ahI-taaqNH29kq3103gMqp-nqUotCEv3apRIUkqiQcKW2uW98d9u2IU-ggm47meT6PH7WiSZ2SP4z501hcg7C-T8R6sDduM7SZSNIO3WutFd_Et/s320/DSC_4481.JPG 
Olfato: Quem me acompanha sabe que gosto de falar a primeira impressão que o vinho me trouxe. Aqui foi a surpresa de encontrar uma complexidade nada comum para vinhos nesta faixa de preço. As frutas não são tão destacadas e se apresentam em frutas vermelhas (amora). Traz um eucalipto bastante presente. Continuando percebemos especiarias, um sutil toque de chocolate e o tostado da carvalho muito bem integrado.

Paladar: Ataque inicial médio e super elegante. Taninos com boa concentração, mas já maduros e finos. Corpo médio e com uma estrutura muito boa. Acidez presente mas não tão intensa. A complexidade na boca também surpreende, bem como a sua persistência. O final traz uma pequenina ponta de amargor.

O site da vinícola ainda está em construção. Consegui algumas informações técnicas deste vinho no site Vinhos de São Roque que seguem abaixo:

Colheita das uvas: 18/03/2005

Maceração: 10 dias em tanque de aço, com controle de temperatura

Fermentação Malotática: Finalizada em 17/04/2005

Estabilização Tartárica: Natural

Maturação: Barricas de Carvalho Americano por 8 meses

Teor Alcoolico: 13,27% vol


É minha gente, mais um vinho Brasuca que surpreende!
In Vino Veritas!

By Gustavo Kauffman (GK)